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O anúncio do Zeebo,
no fim de 2008, provocou alguma movimentação entre imprensa e público
brasileiro. A idéia de ter um videogame concebido no Brasil, com
jogos localizados e suporte oficial pareceu interessante para alguns
e falha para outros; logo estabeleceram-se discussões em
comunidades e sites do ramo sobre o console estreante. Os que foram
ou vão de encontro ao lançamento do Zeebo freqüentemente usam
para criticá-lo argumentos como sua baixa capacidade técnica, seu
preço e seus jogos “requentados”. Extreme Rolimã
constitui, desse modo, um dos mais fortes argumentos a favor da
plataforma quando tratamos de diferenciais: é o primeiro título
100% exclusivo do Zeebo, foi desenvolvido “do zero” pela Tectoy
Digital focando seu hardware e traz não só áudio e textos em
português, como também um tema nacional, os carrinhos de rolimã.
É um perfil de lançamento muito bem-vindo para um console ainda
carente de jogos.
Como muitos já estão
carecas de saber, Rolimã é a primeira parte da série Zeebo
Extreme, que trará posteriormente outras modalidades como
corrida aérea, rali (baja) e bóia-cross. E um grande atrativo em
todos eles, além de serem exclusivos, é o fato de fazerem uso do
controle Boomerang, que detecta os movimentos do jogador através de
um acelerômetro similar ao do iPhone ou do controle Sixaxis do
PlayStation 3. Apesar disso, Rolimã também suporta o Z-Pad,
controle padrão que acompanha o pacote básico do Zeebo.
Depois de um longo
carregamento, surge um menu simples mas bonito, que vai direto ao
ponto: temos opção de correr sozinhos contra a “CPU” ou de
correr junto a outro jogador, além de podermos ajustar o volume da
música, dos efeitos sonoros e a dificuldade. Iniciando uma nova
corrida, podemos escolher entre 4 diferentes personagens -- que não
parecem ter impacto direto na jogabilidade, além de 3 localidades:
São Paulo (”fácil”), uma pista noturna, Petrópolis (”médio”),
em que corremos ao dia e Ouro Preto (”difícil”), ao entardecer.

O mecanismo da corrida
é um pouco diferente do convencional: já que são utilizados rolimãs,
em todas as pistas vamos “ladeira abaixo” sem a necessidade de
um botão para acelerar. Os controles incluem botões para frear,
soltar turbo (rolimãs hi-tech!) e derrapar. Eles são
responsivos e jogabilidade no Z-Pad*, em geral, é
agradável. De início pode parecer tudo simples demais, já que só
precisamos mover o analógico para os lados e ir descendo os
percursos. Junto a isso, também pode haver a impressão de que os
carrinhos têm pouca aderência aos cenários. Mas logo percebe-se
que os comandos de frear e derrapar adicionam uma curva de
aprendizado à coisa; apesar de as pistas serem abertas, elas contêm
muitas curvas fechadas que requerem diminuição de velocidade e/ou
uso das derrapadas para serem transpostas — se isso não for
feito, dá-se de cara com os muros, quando é necessário esperar
que o rolimã seja recolocado no circuito (o que acontece meio à
Mario Kart, embora não apareça ninguém pra “pescar” o carro),
uma grande perda de tempo. Ou seja, entre freadas, derrapadas e
momentos mais adequados para uso do turbo, há uma margem para
diferenciar bons corredores de corredores medianos ou desastrados.
Em todas as pistas
corremos contra três oponentes e estes, quando controlados pela
“CPU”, não oferecem lá grandes desafios (ao menos na
dificuldade padrão). Depois que nos acostumamos com os controles e
começamos a sacar os detalhes das pistas, fica razoavelmente
simples deixá-los para trás em grande parte do tempo. Na
dificuldade mais elevada, há de se dizer, ocorrem muitas trocas de
posição, mas ainda assim chegar na frente não é grande coisa.
Juntando isso ao fato de que o jogo não oferece nenhum modo
“torneio” ou “carreira”, logo vemos que a longevidade de Extreme
Rolimã está mesmo em sua possibilidade multiplayer — até 2
jogadores locais, que podem utilizar Boomerangs, Z-Pads ou ambos. E
como até o momento não há sequer indicações sobre quaisquer funções
online do Zeebo (além de conectar-se à loja para baixar jogos),
também não há opção de rankings pela internet ou coisa similar.
Apesar disso, no fim de cada corrida são mostrados placares com os
tempos de cada corredor, o que permite as disputas por melhores
tempos em comunidades (sim, tirando fotos das telas de jogo — sei
que é uma idéia retrô).
Mesmo não sendo uma
maravilha visual, dado o padrão atual de consoles e até de
celulares, Extreme Rolimã apresenta um trabalho bastante competente
nesse quesito. As pistas são bastante coloridas e dão uma ótima
impressão geral aos que não são tão exigentes. Não há muitas
firulas nas animações — quando batemos o rolimã num muro, por
exemplo, o personagem é recolocado na pista sem qualquer animação
de queda ou de grande impacto — mas, além do bom uso de cores nos
trajetos, vemos também efeitos legais de iluminação (sol,
sombras, efeitos de atrito entre as rodas e o asfalto) e até
horizontes relativamente distantes. Apesar de a construção de cenários
ser visível em alguns trechos, o jogo roda numa taxa de quadros
sempre estável e dá uma ótima sensação de velocidade.

O áudio é “padrão”,
mas agradável. Temos trilha sonora não enjoativa, que dá um bom
“background” para as disputas, e detalhes menores como efeitos
sonoros sincronizados com as animações do menu principal. Durante
as corridas não há nada que se sobressaia demais; além do
narrador que dá a largada em português, temos os efeitos dos rolimãs
deslizando sobre o asfalto, das derrapadas, do turbo, entre alguns
outros.
Para falar sobre
Extreme Rolimã, parece ser necessário considerar o propósito e a
posição que o jogo ocupa atualmente. Custando razoáveis R$ 14,90
(1490 Z-Credits), é o primeiro título 100% brasileiro e exclusivo
para o Zeebo, que chega no início do ciclo de vida do console.
Ainda assim, pode desagradar àqueles que queiram uma experiência
mais complexa (campeonatos, “modos carreira”, etc.) ou aos mais
exigentes no quesito gráfico, já que existem títulos mais bonitos
para hardwares similares, como o iPhone. Mas se o foco for dado à
diversão casual, este é um jogo que vai agradar a muitas pessoas:
tem jogabilidade fácil e “expansiva”, tema carismático e bom
desempenho técnico. Dadas as circunstâncias do lançamento e à
proposta do jogo, pode-se dizer que foi uma estréia simples e
competente da Tectoy Digital. Esperamos por mais e melhores jogos de
onde este veio.
* O
jogo foi testado apenas com a utilização do Z-Pad.
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