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Após um certo período
de atraso, chega à Zeebonet o aguardado Quake II, jogo
originalmente lançado para PCs no fim de 1997, que inaugurou uma
categoria que podemos chamar de “shooters modernos”. E
a espera valeu a pena: o clássico volta em boa forma, com algumas
novidades que agradarão aos fãs brasileiros.
Muitos não sabem, mas
Quake II não é considerado uma seqüência direta do primeiro
Quake, pois traz enredo, localização e personagens diferentes.
Agora estamos no papel de Bitterman, um fuzileiro que faz parte da
“Alien Overlord”, operação de defesa do planeta Terra contra a
invasão da raça Strogg. Para isso, Bitterman e seus aliados
contra-atacam e invadem o planeta de origem dos alienígenas, mas a
maior parte de seus companheiros é morta ou capturada após a
entrada na atmosfera Strogg. Cabe ao jogador penetrar nesse ambiente
hostil com o objetivo de assassinar Makron, o líder do local.
De modo geral, pode-se
considerar que Quake II é uma evolução de seu antecessor em todos
os aspectos: possui sons aprimorados, gráficos mais modernos, fases
maiores e mais complexas, entre outros. E justiça seja feita: o
Zeebo não faz feio em receber a ótima versão do PC; temos na
trilha sonora o mesmo heavy metal do Sonic Mayhem, ouvimos os mesmos
efeitos sonoros das armas, dos inimigos e dos torpedos que freqüentemente
são lançados ao fundo pelo planeta dos Strogg. Na parte gráfica,
nota-se que os efeitos de luz não são tão complexos e as texturas
parecem menos vivas que as originais, mas não é exagero dizer que
o resultado final é muito bom, e mantém a evolução sobre o
primeiro Quake. Outras novidades como as novas armas, a maior
quantidade de inimigos simultâneos ou as feridas que aparecem em
tempo real naqueles quando são atingidos também estão lá. A única
ausência marcante em relação ao original é o vídeo introdutório
em CG: devido ao comprometimento com um tamanho reduzido para o
arquivo final, a Tectoy optou por não incluí-lo.

Sem CG inicial, mas
com uma boa surpresa: algo que logo chama a atenção quando
iniciamos a primeira missão são as vozes dos operadores terráqueos
que passam ao fundo. Elas estão dubladas em português brasileiro -
e uma boa dublagem, diga-se. Essas vozes não são muitas e também
não são fundamentais para o entendimento da trama, mas ainda assim
servem para dar uma imersão ou empolgação maior com o jogo. Todos
os textos dos menus e da interface in-game também foram
traduzidos, como tem sido de praxe.
Em relação aos
controles, é possível optar entre duas opções bem distintas logo
no início: a casual oferece mira automática e umas
configurações de movimentação um tanto quanto estranhas para
quem já se habituou a jogar first person shooters com
controles; já a expert é aquela a que a maioria está
acostumada, sem mira automática, com a alavanca analógica esquerda
usada para movimentação e a direita, para movimentar a mira. Há
um certo período de adaptação para usar os analógicos do Z-Pad
com eficiência (eles são relativamente pequenos e às vezes
parecem muito sensitivos), e enquanto isso não acontece o jogador
pode sofrer um bocado com os inimigos. Para melhorar na adaptação,
a sensibilidade da mira pode ser ajustada. Além disso, como
sabemos, alguns controles USB (Dual Shocks e outros) são compatíveis
com o Zeebo; embora não me pareça necessário, o uso de um
controlador similar ao do Xbox, ou até ao do PlayStation pode ser
útil.

E por falar em
PlayStation, o console da Sony também recebeu uma versão de Quake
II, que tem vantagens e desvantagens ante a versão Zeebo. Como
vantagem, podem-se citar o modo multiplayer em tela dividida e
a taxa de quadros por segundo um pouco mais estável. A
“superioridade” da versão Zeebo dá-se no que diz respeito às
fases disponíveis: toda a seqüência de cenários da versão para
PC pode ser encontrada no console da Tectoy, enquanto o port do
PlayStation teve alguns trechos cortados.
Ainda é válido dizer
que, até a finalização desta análise, alguns problemas técnicos
ligados ao jogo vêm atormentando usuários. Inicialmente, algo
curioso: ele apareceu para download nos consoles de algumas pessoas,
mas não é mostrado nos de outras; aparentemente isso tem a ver com
alguma disparidade no serviço da Claro em diferentes regiões do país,
e espera-se que em muito breve todos possam baixá-lo. Além disso,
podem ser citados travamentos experimentados por alguns,
principalmente em trechos iniciais do jogo onde há carregamento de
novos cenários.
Deixando de lado essa
parte de problemas técnicos, Quake II é um ótimo lançamento para
o Zeebo. É um jogo bem mais moderno e completo que seu antecessor,
com gráficos superiores, som melhor trabalhado e maior dinamismo na
jogabilidade. A adaptação feita pela Tectoy foi boa, embora não
se iguale ao original para PCs em elementos como a iluminação. A
ausência de um modo para dois ou mais jogadores pode ser marcante
para alguns, já que este é um título que criou vários seguidores
por seu ótimo modo on-line. Já a dublagem de trechos do áudio,
embora não seja algo excepcional, desperta a esperança de que
possamos ter mais vezes esse tipo de trabalho de localização daqui
em diante (quem sabe em um Quake 3?). Enquanto isso não acontece,
temos um título competente já em mãos.
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