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Lançado originalmente
para PCs em 1996, “Quake” forma, junto com “Doom” e “Wolf
3D”, uma espécie de “Santíssima Trindade” dos jogos de tiro
com visão em primeira pessoa. Foram esses três títulos que deram
moldes ao gênero, e com certeza influenciaram diretamente a grande
maioria (se não todos) dos First Person Shooters subseqüentes.
Eis que em junho de 2009, o Zeebo recebe “Quake” em sua linha de
lançamento, um jogo que merece respeito pelo que representa, mas
que claramente mostra sinais de sua idade.
A versão para o Zeebo
é exatamente aquilo que muitos já conhecem. São 28 fases
divididas em 4 capítulos, que podem ser percorridos em três níveis
de dificuldade - na verdade, existe um quarto nível escondido, para
os super hardcore. As fases têm objetivos básicos e
diretos: o jogador sempre está em busca da saída, enfrentando
inimigos e resolvendo quebra-cabeças bem simples durante o
percurso. Não há opção para jogo em rede local (que, ao menos
por enquanto, é tecnicamente impossível) ou multiplayer em tela
dividida.

A adaptação feita
pela Tectoy Digital é competente. De início, nota-se que os textos
estão 100% traduzidos, o que é um “extra” bacana, apesar de a
leitura deles não ser fundamental para o curso da jogatina. Os gráficos
e sons foram fielmente transportados do PC para esta versão, não há
nada notavelmente melhor ou pior: vemos as mesmas estruturas
poligonais com texturas em baixa resolução, os inimigos com seus
quadros bastante básicos de animação, os mesmos gritos e
“gemidos” daqueles quando se aproximam e são atingidos, etc.
Ainda que tenham-se passado longos 13 anos desde que foi lançado,
pode-se dizer que Quake envelheceu bem, e no geral tem uma aparência
aceitável. O desempenho do jogo no Zeebo também é “ok”; não
há engasgadas ou qualquer problema de velocidade - nada além do
que poderíamos esperar de uma adaptação como essa. Os comandos
nos analógicos Z-Pad são responsivos, e funcionam bem depois de um
curto período de adaptação (o ajuste de sensibilidade da mira
pode ajudar nesse processo).

Nos dias de hoje,
fazer uma avaliação justa para um clássico como esse acaba sendo
algo delicado. É um jogo que apresenta uma dinâmica bastante básica,
mas muito competente e bem acabada; que tem gráficos e som
envelhecidos, mas que correspondem ao que havia de melhor em sua época.
Fazer uma afirmação objetiva sobre sua qualidade não é simples.
Podemos dizer que é um marco dos jogos de tiro em 3D, cuja grandeza
está mais no que representou no passado que pelo que oferece hoje.
Mas ainda assim é uma experiência válida para os que não tiveram
a oportunidade de explorá-lo antes, e que agora podem fazer isso
contando inclusive com textos em português.
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